Jejum e penitencia podem se modernizar?

fevereiro 14, 2018


Desde os primórdios da religião os crentes praticavam jejuns e penitências. Assim fez o povo de Israel. A própria caminhada do povo hebreu para a terra prometida exigiu grandes jejuns e penitências. Todos os profetas citados na Bíblia foram homens que praticavam jejum e penitência. O Arquétipo penitente foi João Batista, “João andava vestido de pelo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestres” (cf. Mc 1,6).  Os Evangelhos também apresentam Jesus Cristo, Filho de Deus, como um Homem penitente: “Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome”(cf Mt 4, 1-2). Ensinou seus discípulos a serem penitentes e que em determinadas situações deveriam jejuar. Jejum e penitência por sua vez tornaram-se uma prática assumida pelo cristianismo como meios de ascese espiritual, força para combater o mal. 

Em toda história do cristianismo encontramos homens e mulheres que praticaram jejum e penitência. Dentre milhares e milhares encontramos Bento de Nursia, séc. IV, que iniciou sua ascese na gruta de Subiaco, e por três anos só se alimentou de pão uma vez ao dia. Depois no final do séc. VII apareceu Francisco de Assis como “homem penitente”. Mas podemos dizer que a multidão de homens e mulheres que viveram nos claustros de seus mosteiros também foram penitentes e praticantes do jejum. 

Neste século, os cristãos fazem jejum e penitência? Os jejuns e penitências são os mesmos ou também se modernizam com o século? Podemos dizer que de certa forma se modernizaram sim. Todos os cristãos católicos são obrigados pela Mãe Igreja a fazerem jejuns e penitênciaa, nos dois dias do ano litúrgico: quarta-feira de cinzas e sexta-feira Santa. Nesses dois dias os cristãos que gozam de boa saúde e que tem entre 18 anos e 59 completos devem jejuar em favor da Igreja e de sua própria conversão pessoal. Além dos consagrados (Papa, bispos, padres, irmãos e irmãs religiosos, freis, freiras, monges...) muitas pessoas fazem jejum e penitência. Nos meus quinze anos de ministério sacerdotal, conheci muitas pessoas que jejuam e fazem penitência, desde pessoas simples do campo como também pessoas letradas e de cargos importantes da sociedade. É pratica comum dos consagrados e de muitos leigos absterem-se de carne nas sextas e quartas-feiras e na quaresma praticarem um jejum específico e oferecerem alguma penitência. Graças à força do Espírito Santo ainda hoje o jejum e penitência são praticados por um grande número de cristãos. 

Como o ser humano é um eterno evoluir-se, sabemos que a pratica do jejum e penitência também se moderniza conforme a vivencia atual. Por exemplo: quantas pessoas tem feito o jejum de chocolate. Será que São Bento no século IV conheceu um bom-bom? Quantas pessoas tem feito a penitência de não assistir televisão. Será que São Francisco e Santa Clara conheceram a televisão? Podemos dizer com toda segurança que neste tempo atual nosso jejum e penitência têm um aspecto fundamental para todos nós. Devemos renunciar alguns alimentos por amor à nossa própria vida, para termos saúde e melhor servirmos nossos irmãos. Devemos jejuar algum alimento para provarmos que além do nosso instinto animal que busca o prazer somos também espirituais e capazes de sermos equilibrados para uma maior liberdade, que não somos meramente uma maquina de consumo numa sociedade consumista. Hoje, sem dúvida uma penitência necessária é a penitência do uso excessivo da internet, do uso excessivo do celular como substituição de relacionamento pessoal. Podemos lembrar ainda da penitência de morder a língua quando falarmos mal dos outros, como nos incentiva o Papa Francisco em suas catequeses. Estas e tantas outras penitências ajudam  o penitente a encontrar forças para não serem escravizados pelos vícios mais perigosos que podem levar a perder suas almas.  

Enfim, o jejum e a penitência não caíram de moda e ao mesmo tempo são praticas modernas porque o mundo é renovado em seu tempo e costume. A Palavra de Deus nos diz: “Eis que faço novas todas as coisas”. Assim o nosso jejum e penitência se faz novo. Rogo ao bom Deus que todos tenham uma fecunda quaresma.

Pe. Estêvão Maria Divina Misericórdia, FGMC
Superior dos Irmãos de Jesus Misericordioso - contemplativos 

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