Ir. Gabriel Maria Mãe Misericórdia, FGMC
Mosteiro da Divina Misericórdia
Preparação
* Localize em sua Bíblia a passagem sobre a cura de um leproso (Marcos 1,40-45).
* Procure um lugar tranquilo e solitário que favoreça o recolhimento e a escuta.
* Coloque-se em uma postura confortável, acalme-se, respire fundo.
* Peça a presença do Espírito Santo para iluminá-lo e lhe dar a graça de um coração sensível, capaz de ouvir a voz de Deus.
Passos para a Leitura Orante
1. Leitura (Lectio)
Leia calmamente a passagem, sem pressa de prosseguir nos versículos. Não é necessario ler até o fim da passagem. Assim que se sentir tocado por alguma palavra ou frase, é momento de parar.
2. Ruminação (Ruminatio)
Releia, se necessário, ou fixe a atenção na palavra ou cena que mais o tocou, coloque-se no lugar do personagem, imagine-se nessa cena.
– Neste diálogo do leproso e Jesus, o que atraiu a minha atenção?
– “Se queres, tens o poder de purificar-me”, preciso de alguma purificação? Jesus teve compaixão do excluído, e ainda hoje continuar indo ao encontro de cada ser humano.
– Quais as minhas lepras e minhas feridas intocáveis? Tenho me afastado do convívio social e das fontes que alimentam e purificam a fé em mim?
– Preciso oferecer o perdão a alguém? Jesus, ao me curar também me dá o poder de oferecer cura aos outros, perdoando.
– Qual a mensagem de Deus para mim?
3.Oração (Oratio)
No passo anterior, Deus falou conosco pela Palavra; neste somos nós que falamos a Ele sobre tudo aquilo que em nós despertou sentimentos e desejo de mudança. Seja sincero e confiante, faça sua oração manifestando a Deus os seus pedidos e agradecimentos.
– Você deseja ser purificado, curado, liberto e reinserido? Se sim, manifeste esse desejo a Jesus e O ouça: “Eu quero, sê purificado”...
4.Contemplação (Contemplatio)
Neste momento, permaneça com a presença amorosa e misericordiosa de Jesus, sem nada pedir ou agradecer, simplesmente sinta-se fortalecido por Ele, contemplando Sua face misericordiosa.
“Todas as vezes que começo esta meditação nunca a termino, porque o meu espírito mergulha Nele inteiramente. Que delícia amar com toda a força de alma e ser reciprocamente ainda mais amada, sentir tudo isso e vivê-lo com toda a consciência do próprio ser! — Não há palavras para expressá-lo” (Diário, 1523).
“Um leproso foi até ele, implorando-lhe de joelhos: ‘Se queres, tens o poder de purificar-me’. Irado, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: ‘Eu quero sê purificado’. E logo a lepra o deixou. E ficou purificado. Advertindo-o severamente, despediu-o logo, dizendo-lhe: ‘Não digas nada a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece por tua purificação o que Moisés prescreveu, para que lhes sirva de prova’. Ele, porém, assim que partiu, começou a proclamar ainda mais e a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade: permanecia fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo”. (Marcos 1,40-45)
Ir. Gabriel Maria Mãe Misericórdia, FGMC
Mosteiro da Divina Misericórdia
A partir desta publicação em nosso site, iniciaremos a série de postagens da Lectio Divina, com o intuito de fornecer um conteúdo para auxiliar na oração e formação necessárias para a salvação. Explicamos o que é, e como realizar esta prática da leitura espiritual ou leitura orante da Bíblia. Esta oração é também um alimento divino, do qual alcançamos forças para nossa caminhada.
Na Igreja Católica existe um método tradicional de ler a Sagrada Escritura e fazer a experiência viva de diálogo com Deus que nos fala, e a quem devemos aprender a escutar, e permitir que nos conduza para a plena comunhão com Ele. A Lectio Divina não se reduz a um estudo bíblico; é, antes, experiência de Deus: é uma prática cotidiana não apenas dos monges, mas acessível a todo cristão.
Se você quer percorrer essa peregrinação orante, procure um lugar tranquilo - de preferência, onde esteja solitário, livre de ruídos e de tudo aquilo que possa levá-lo à distração. Escolha um texto da Sagrada Escritura. Pode ser o Evangelho do dia. Hoje utilizaremos a passagem da mulher adúltera (João 8,1-11). Coloque-se em uma postura confortável, acalme-se, respire fundo, peça a presença do Espírito Santo para te iluminar e dar a graça de um coração atento para ouvir a voz de Deus.
Ao ler a passagem, permita que em sua imaginação se desenvolva a cena dos escribas e fariseus apresentando para Jesus uma mulher surpreendida em adultério - pecado que, segunda a Lei Mosaica, devia ser castigado com o apedrejamento até a morte. Os escribas e fariseus queriam não somente apedrejar essa mulher, mas colocar Jesus à prova. Jesus, conhecendo o que havia em seus corações inclina-se e começa a escrever com o dedo no chão. O significado desse gesto e o que ali escrevia é uma pergunta que o Evangelho deixa para cada um de nós responder. Como eles esperavam, indagando sua resposta, Jesus se levanta e diz: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar a pedra!” Começaram a sair, começando pelos mais velhos. Por fim, Jesus fica a sós com a mulher. Então, estabelece com ela um diálogo maravilhoso: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor” Então Jesus disse: “Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”.
Esta é apenas uma narração, convido-o a ler na íntegra o Evangelho em que este fato foi escrito (Jo 8,1-11). Siga os seguintes passos:
1- Leitura (Lectio) Leia calmamente a passagem, sem pressa de prosseguir nos versículos – não é necessário que a leitura seja feita até o fim, imediatamente –. Assim que se sentir tocado por alguma das palavra ou frases, é momento de parar.
“Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”.
E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
2- Ruminação (Ruminatio) Releia – se necessário – ou atento à palavra ou cena que te chamou atenção, coloque-se no lugar do personagem, imagine-se na cena. Qual lição encontra aí para a sua vida? Já fez as vezes de escriba ou fariseu na vida de alguém, condenando? Sente-se como a mulher adúltera? Peça o perdão ao Senhor! Ou você precisa oferecer o perdão a alguém? “Como é difícil, muitas vezes, perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado em nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração.” (Bula Misericordiae Vultus, n.10.)
3- Oração (Oratio) No passo anterior permitimos que Deus fale conosco através da Palavra. Agora é momento de falarmos para Ele de tudo aquilo que despertou em nós sentimentos e desejos de mudança. Sejamos sinceros, tiremos as ‘máscaras’. Diga e peça tudo o que desejar. Deixe brotar do seu coração uma oração simples e genuína, confiante na misericórdia do Pai.
4- Contemplação (Contemplatio) Neste momento é necessário silenciarmos e permanecermos com a presença amorosa e misericordiosa de Deus, sem nada pedir ou agradecer, simplesmente sentir-se fortalecidos por Ele.
Que a Palavra de Deus seja a força, o sustento e alegria da nossa vida!





